Bilhete para Lily

Minha jovem compatriota,
Eu gostaria que viesses
Esta noite, me visitar.
Quero uma farra escandalosa,
Com beijos grandes e pequenos
Para os meus grandes apetites!
E os teus, será que são menores?
Primeiro vou beijar teus lábios,
Todos! É o prato que prefiro
E o jeito como faço a coisa
(E as outras todas de que gosto)
É guloso e compenetrado.
Hás de passar os teus dedinhos
Na minha barba de profeta
Enquanto acaricio a tua.
Depois, em teu colo de lírio
Que meu ardor cobre de rosas,
Hei de pousar a boca ardente;
Meus braços vão entrar no jogo
Tontos, em volta das delícias
Que estão abaixo da cintura.
As mãos, depois de derrotarem
A ira fingida de suas mãos,
Darão palmadas carinhosas
No teu traseiro, onde haverá
Novo embate, depois porei
A gravidade no teu centro…
Sou eu quem bate. Ai, grita: Entra!

Paul Verlaine
(traduzido por Heloisa Jahn)

Publicado na Semana Especial de Poesia Erótica

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Published in: on 07/07/2009 at 7:12  Deixe um comentário  

Arieta

Chora o meu coração
Como chove na rua;
Que lânguida emoção
Me invade o coração?

Ó frio murmúrio
Nas telhas e no chão!
Para um coração vazio,
Ó aquele murmúrio

Chora não sei que mal
Meu coração cansado.
Um desengano? – Qual!
É sem causa este mal

É a maior dor – dói tanto –
Não se saber por que,
Sem ódio ou amor, no entando,
O coração dói tanto.

Paul Verlaine
(tradução de Guilherme de Almeida)

Published in: on 29/03/2009 at 22:26  Deixe um comentário