Poeta

Eu, poeta banido, me confesso:
queria ser tudo e não fui nada,
queria ter tudo e não aprendi a possuir.

Eu queria ser todo perdão,
mas existe a mágoa;
Eu queria poder esquecer
se não fosse a memória.

Eu queria poder me atirar
se não fosse o medo;
Eu queria poder blasfemar,
mas existe a crença.

Eu queria poder me querer,
mas nada em mim sobrou de meu.
Eu queria me amar,
e meu amor esparramou-se e me perdi.

Eu queria ter sonhos bonitos,
Eu queria poder penetrar
na maré vazante de outros mares
e completá-los na lua nova dos meus.

Eu queria poder e já não posso.
Eu queria poder.
Eu queria apenas querer;
e já nem quero.

Ligia Batista

Published in: on 17/06/2009 at 0:32  Comments (2)