Pavilhão

Muros altos de teu corpo.
Não havia entrada em teu horto.

(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)

Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.

(Que arona às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)

Tornaste a ficar fechada.
Não haveria em tua alma entrada!

Juan Ramón Jiménez

Published in: on 15/09/2009 at 16:11  Deixe um comentário  

O Estudante

Sonha, sonha enquanto dormes.
Tudo esquecerás com o dia.

(Dia, alegre aprendizagem
Da grande sabedoria.)

Aprende, aprende. No sonho
Esquecerás o aprendido.

(Sonho, doce aprendizagem
Do definitivo olvido.)

Juan Ramón Jiménez
(tradução de Manuel Bandeira)

Published in: on 20/08/2009 at 22:56  Deixe um comentário  

De Volta

Devagar voltamos,
Com tudo já dito.
Tu me olhas ainda,
Eu já não te fito.

Tu tocas nas flores,
Eu vou beira-rio.
Que modo diverso
O de nós sorrirmos!

A grande lua branca
Em nosso caminho!
A ti ela aquece,
A mim me dá frio.

Juan Ramón Jiménez
(tradução de Manuel Bandeira)

Déjà vu:
15 de junho de 2009
Published in: on 25/06/2009 at 10:17  Comments (1)  

O Único Amigo

Não me alcançarás, amigo.
Chegarás ansioso, louco.
Eu, porém, já terei ido.

(E que espantoso vazio
Tudo o que tenhas deixado
Atrás para vir comigo!
Que lamentável abismo
Tudo quanto eu haja posto
Em meio, sem culpa, amigo!)

Ficar não podes, amigo.
Voltarei talvez ao mundo.
Tu, porém, já terás ido.

Juan Ramón Jiménez
(tradução de Manuel Bandeira)

Published in: on 15/06/2009 at 8:55  Deixe um comentário