Cético [79]

Não creia em tudo aquilo que está lendo.
Duvide até da própria assinatura.
Não cante sem reler a partitura.
Recuse poesia com remendo.

Se um cego diz seu seu calvário horrendo,
coloque mais pimenta, que ele atura.
Se ser um masoquista é o que ele jura,
no máximo masturba-se escrevendo.

Cantando espalharei por toda parte,
mas sei que poucos vão acreditar
que sou Átila, Nero ou Bonaparte.

Vá lá, não sou guru nem superstar.
Na dúvida, porém, nunca descarte
que onde há fumaça o fogo pode estar.

Glauco Mattoso

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Published in: on 01/09/2009 at 23:54  Comments (8)  

Soneto 795 – Do Decoro Parlamentar

– O ilustre senador é um sem-vergonha!
– O quê?! Vossa Excelência é que é safado!
E os dois parlamentares, no Senado,
disputam palavrão que descomponha.

Um grita que o colega usa maconha.
Responde este que aquele outro é viado.
Até que alguém aparte, em alto brado
anima-se a sessão que era enfadonha.

Inútil tentativa, a da bancada,
de a tempo separar o par briguento
aos tapas, se engalfinham por um nada…

Imagem sem pudor do Parlamento,
são ambos mais sinceros que quem brada:
– Da pecha de larápio me inocento!

Glauco Mattoso

Propício hm? Aos interessados em política recomendo o livro “Poética na Política” do Glauco.
(Falou ‘a’ íntima agora né? rs)
Além desse soneto publicado hoje, outros dois chamam atenção, devido aos últimos acontecimentos políticos: Soneto 679 – Tramitado [a José Sarney] e Soneto 964 – Senatorial. Claro que os demais poemas são ótimos também: imperdível aos eternos revoltados com ‘os maus costumes dos maus políticos brasileiros’.
Published in: on 11/08/2009 at 12:40  Deixe um comentário  

Confessional [234]

Amar, amei. Não sei se fui amado,
pois declarei amor a quem odiara
e a quem amei jamais mostrei a cara,
de medo de me ver posto de lado.

Ainda odeio quem me tem odiado:
devolvo agora aquilo que declara.
Mas quem amei não volta, e a dor não sara.
Não sobra nem a crença no passado.

Palavra voa, escrito permanece,
garante o adágio vindo do latim.
Escrito é que nem ódio, só envelhece.

Se serve de consolo, seja assim:
amor nunca se esquece, é que nem prece.
Tomara, pois, que alguém reze por mim…

Glauco Mattoso

Nota de Esclarecimento: Queridos leitores, gostaria de pedir desculpas pelo imenso atraso na publicação dos poemas, já que estou há quase 15 dias em falta com as publicações diárias.
Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
Published in: on 01/08/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Soneto 309 – Buceteiro

Pequenos, grandes lábios, um clítoris.
Pentelhos. Secreção. Quentura mole,
que envolve meu caralho e que o engole.
Não saio até gozar, nem que me implores.

Diana. Dinorá. Das Dores. Dóris.
Aranha. Taturana. Ovelha Dolly.
Peluda, cabeluda, ela nos bole
na rola, das pequenas às maiores.

Buceta existe só para aguçar
a fome dos caralhos em jejum.
Queremos bedelhar, fuçar, buçar!

Agora não me falem do bumbum!
Do pé tampouco! Vou despucelar
o buço dum cabaço, ato incomum.

Glauco Mattoso

Publicado na Semana Especial de Poesia Erótica

Published in: on 10/07/2009 at 10:31  Comments (1)  

Soneto Beletrista

Na história da poesia brasileira
Gregório, como um sátiro, desponta.
Dirceu canta Marília, que não conta.
Gonçalves Dias trepa na palmeira.

Rebelo é Zé, não tem eira nem beira.
Escravo, ao Castro Alves, vira afronta.
Bilac eleva e leva a lavra em conta.
Delfino é preso ao pé, mas mal o cheira.

Augustos são vanguarda: Alguém os siga!
Oswald e Mário apupam: Pau no apuro!
Drummond, Bandeira, ombreiam, bons de briga.

Cabral é cabra cru, cerebral, duro.
Se Piva quer viver na Grécia antiga,
Mattoso, em trevas, vive no futuro.

Glauco Mattoso

Este é o post numero 100 do brógui. \o/
100 dias postanto (quase) todos os dias!
100 poemas. 53 poetas. 1334 visitas.
Tá bom né?
Published in: on 29/06/2009 at 22:31  Comments (2)  

Téquinico

Reflete a inflexão do X no verso,
contada como sílaba. Assim quis.
Portanto, o som dum ‘ex’ vale ‘equis’
no ritmo brasileiro em que converso.

Da mesma forma, é ‘ritimo adiverso’,
mas nunca ‘rimo averso’ que se diz.
Se for no meio termo, como fiz,
às vezes um ‘submerso’ é ‘subimerso’.

A decisão é minha, soberano
que sou do meu soneto, como um rei.
Aqui não dita o crítico Fulano.

Aqui nunca confesso quando errei;
apenas justifico meu engano,
pois quanto mais pratico, menos sei.

Glauco Mattoso

Published in: on 02/06/2009 at 23:32  Deixe um comentário