Poema para os estudiosos e biógrafos

Não me expliquem:
prisma, de mil faces,
sou insondável, abissal.

A poesia não é um espelho;
é um estado momentâneo.
Se me retrato, logo me desdigo,
transfiguro-me, horizontalizando
minhas emoções e incertezas.

Amo o imprevisto,
dói-me o que adivinho;
não me ofereçam banquetes mastigados.

A clareza não a tenho à superfície;
é necessário uma faca para fazê-la flutuar;
vão ao cerne; sou quarto crescente na lua cheia.

Não me expliquem pelas palavras,
pelo bigode nem pelo cachimbo.

Fernando Ferreira de Loanda

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Published in: on 01/05/2009 at 21:00  Deixe um comentário