Divinos Devaneios

Se faz presente a melancolia,
soprando em minha vida eterna maresia,
com fortes tufões;
saudades explodindo corações
e no final do horizonte além
não há nada nem ninguém…

Somente o árido deserto indiferente,
a vida indo sempre para frente,
eu luto e não venço;
e as vezes até penso
que serei assim dissimulada
rindo e chorando alucinada…

Sendo poeta, vivendo em mundo diverso,
e é todo azul este meu universo,
Cleópatra, Maria e Madalena;
amando, santificando e dando pena
rasgo a realidade e sonho gozando
o paraíso que sempre estive almejando…

Contance Belmar

Nota sobre o poema: ‘comprei’ esse poema ontem, por 2 reais, da própria autora, que me abordou na esquina da Paulista com a Augusta e disse que, depois do trabalho, saía pelas ruas vendendo seus poemas pois estava juntando dinheiro para editar um livro. Ela me ofereceu dois poemas selados, disse que um era romântico e o outro reflexivo, filosófico. “Quero o reflexivo, não estou interessada em romance no momento, tenho aqui 2 reais, pode ser?”. Ela me deu o poema, rompi o selo, li, gostei, e quando levantei a cabeça procurando por ela, já tinha ido embora.
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Published in: on 09/04/2009 at 13:02  Comments (4)