Nascemos para amar

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão nalma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suavez júbilos discorre,
Com esperanças mil na idéia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Bocage

Déjà vu:
4 de abril de 2009
Published in: on 14/08/2009 at 2:06  Comments (1)  

Meu ser evaporei na lida insana

Meu ser evaporei na lida insana
do tropel das paixões que me arrastava;
ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mais eis sucumbe a natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos,
esta alma, que sedenta em si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus! ó Deus! quando a morte a luz me roube,
ganhe um momento o que perderam anos.
Saiba morrer o que viver não soube.

Bocage

Nota de Esclarecimento: Queridos leitores, gostaria de pedir desculpas pelo imenso atraso na publicação dos poemas, já que estou há quase 15 dias em falta com as publicações diárias.
Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
Published in: on 03/08/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Soneto XVII

Dizem que o rei cruel de Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá nesse mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta;
Este o prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras.

Bocage

Publicado na Semana Especial de Poesia Erótica

Published in: on 04/07/2009 at 22:39  Comments (3)