Eu e você – XVIII – Meditação

A gente começa a amar
por simples curiosidade,
por ter lido num olhar
certa possibilidade.

E como, no fundo, a gente
se quer muito bem,
ama quem a ama, somente
pelo gosto igual que tem.

Depois, a gente começa
a repartir dor por dor.
E se habitua depressa
a trocar frases de amor.

E, sem pensar, vai falando
de novo as que já falou…
E então, continua amando
só porque já começou.

Paul Géraldy
(tradução de Guilherme de Almeida)

Nota de Esclarecimento: Queridos leitores, gostaria de pedir desculpas pelo imenso atraso na publicação dos poemas, já que estou há quase 15 dias em falta com as publicações diárias.
Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
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Published in: on 31/07/2009 at 0:00  Comments (5)  

Poética (I)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinicius de Moraes

Nota de Esclarecimento: Queridos leitores, gostaria de pedir desculpas pelo imenso atraso na publicação dos poemas, já que estou há quase 15 dias em falta com as publicações diárias.
Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
Published in: on 30/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Os degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…

Mario Quintana

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Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
Published in: on 29/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Sintonia para pressa e presságio

. Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
. na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
. Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
. do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
. que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

. Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
. e não cabe mais na sala.

Paulo Leminski

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Novamente peço desculpas, farei o possível para que isso não ocorra outra vez.
Published in: on 28/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

À garrafa

Contigo adquito a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.

Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.

Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,

numa explosão
de diamantes.

José Paulo Paes

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Published in: on 27/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Os desmandamentos – Guardarás – III, 5

eu tardo
mas falho

ou não falho
ao tardar
em falhar

Leandro Leite Leocadio

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Published in: on 26/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Simplicidade, felicidade…

Simplicidade… Simplicidade…
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio… Por que não há de
ser toda gente também assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que têm perfumes… Mas as abelhas
e os homens sabem o que elas têm!

Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada… Mas que o vê
– árvores, aves, olhos de monge… –
busca-o sem mesmo saber por quê.

Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda terras… E, rindo, passa,
despretensioso, sempre a cantar.

Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto, dá sombra e paz;
dá ninho às aves; ao inseto, flores…
Mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade – sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!

Guilherme de Almeida

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Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
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Published in: on 25/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Eu não espero o bem que mais desejo

Eu não espero o bem que mais desejo
sou condenado, e disso convencido;
vossas palavras, com que sou punido,
são penas e verdades de sobejo.

O que dizeis é mal muito sabido,
pois nem se esconde nem procura ensejo
e anda à vista naquilo que mais vejo:
em vosso olhar, severo ou distraído.

Tudo quanto afirmais eu mesmo alego:
ao meu amor desamparado e triste
toda a esperança de alcançar-vos nego.

Digo-lhe quanto sei, mas ele insiste;
conto-lhe o mal que vejo, e ele, que é cego,
põe-se a sonhar o bem que não existe.

Vicente de Carvalho

Nota de Esclarecimento: Queridos leitores, gostaria de pedir desculpas pelo imenso atraso na publicação dos poemas, já que estou há quase 15 dias em falta com as publicações diárias.
Entre 24 de julho e 6 de agosto serão publicados poemas que gosto muito, mas que não tem como atender totalmente à proposta do blog, que é publicar textos que de alguma forma tenham a ver com o meu dia-a-dia, devido ao atraso.
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Published in: on 24/07/2009 at 0:00  Deixe um comentário  

Estrela da manhã

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos e pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecais com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei
.                [terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.

Manuel Bandeira

Published in: on 23/07/2009 at 23:31  Comments (1)  

Eu juro

Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.

Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome

Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo

Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer

Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.

Marcelo Almeida

Published in: on 22/07/2009 at 0:45  Deixe um comentário