Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio – I

É bom que seja assim, Dionísio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora

E sozinha supor
Que se estivesses dentro

Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora

Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.

Hilda Hilst

Obs: Este poema pertence ao dia 22 de maio, como encerramento de uma série. Perdão pelo atraso.
Déjà vu:
21 de maio de 2009
14 de maio de 2009
11 de maio de 2009
9 de maio de 2009
Published in: on 01/06/2009 at 23:59  Deixe um comentário  

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