Água-forte

O preto no branco,
O pente na pele:
Pássaro espalmado
No céu quase branco.

Em meio do pente,
A concha bivalve
Num mar de escarlata.
Concha, rosa ou tâmara?

No escuro recesso,
As fontes da vida
A sangrar inuteis
Por duas feridas.

Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.

Manuel Bandeira

Dedicado ao meu querido amigo Luiz.
Published in: on 24/04/2009 at 16:37  Comments (1)  

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One CommentDeixe um comentário

  1. Agatha
    querida muuuuuito obrigado…

    como uma boa Escorpiana, a percepeção que lhe cabe é de fato especial. Ainda mais traduzida num belo poema.

    Bjusssss


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