Belo Belo

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações exitintas há milênios.
E o risco brevíssimo – que foi? passou! – de tantas
·                                                        estrelas cadentes.

A autora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia a dentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

– Quero é a delícia de poder sentir as coisas mais
·                                                                       simples.

Manuel Bandeira

Published in: on 07/04/2009 at 7:49  Deixe um comentário  

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