Serraram o meu coração

Serraram o meu coração e puseram um
pedaço menor no bolso muito escuro
e o maior para continuar: deixaram
gelo no corte e permitiram que alguém
tocasse com um estilete. Esconderam
o ponto central, onde eu guardei a ternura.
Serraram meu coração e colocaram
vidro de garrafa enfiado num pequeno
sonho de participar, e amassaram
com o ódio de todos os outros
a esperança da reconstrução, e encheram
de terra o que tinha de vazio e seus véus
dependuraram na cerca da noite.

Álvaro Alves de Faria

Published in: on 03/09/2009 at 16:08  Deixe um comentário  
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